segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Salmo 117 por Charles H. Spurgeon



ASSUNTO
. Este Salmo, que é muito pequeno em sua letra, é excessivamente grande em seu espírito; porque, rompendo além de todos os limites de raça ou nacionalidade, ele convida toda a humanidade para louvar o nome do Senhor. Com toda probabilidade, ele foi freqüentemente usado como um breve e apropriado hino para quase toda ocasião, e especialmente quando o tempo para adoração era curto. Talvez era também cantado no começo ou no início de outros Salmos, apenas como nós usamos agora a doxologia. Serviria para abrir um serviço ou para fechá-lo. Ele é tanto curto como doce. O mesmo divino Espírito que se estendeu no 119º Salmo, aqui condensa Suas declarações em dois pequenos versos, mas, todavia, a mesma plenitude infinita está presente e perceptível. Pode ser digno de nota que este é, ao mesmo tempo, o menor capítulo das Escrituras e a porção central de toda a Bíblia.


EXPOSIÇÃO

Verso 1. Louvai ao Senhor, todas as nações. Esta é uma exortação aos gentios para glorificar a Jeová, e uma clara prova de que o espírito do Velho Testamento difere amplamente daquela estreita e contraída cega inveja nacional da qual os judeus dos dias de nosso Senhor tornaram-se tão inveteradamente doentes. As nações não poderiam esperar unir-se no louvor de Jeová, a menos que eles também fossem participantes dos benefícios que Israel gozava; e, portanto, o Salmo foi uma intimação à Israel que a graça e misericórdia de seu Deus não eram para ser confinadas em uma única nação, mas que seria em felizes dias estendidas à toda raça humana, como até Moisés profetizou quando disse: “Jubilai, ó nações, o seu povo” (Deut. 32:43), porque assim o Hebreu fazia. As nações eram para ser Seu povo. Nós sabemos e cremos que nenhuma tribo de homens não será representada no cântico universal que ascenderá ao Senhor de todos. A pregação do evangelho tem reunido indivíduos de toda raça, tribo e língua, e estes têm direito de se unir de todo o coração para magnificar a graça que os buscou, e lhes trouxe para conhecer o Salvador. Estas são, porém, a guarda pioneira de um número que nenhum homem pode contar, que virão de longe adorar o Único todo glorioso. Louvai-O, todos os povos. Fazendo-o uma vez, faça novamente, e faça-o ainda mais ferventemente, diariamente crescendo na reverência e zelo com a qual exalta o Altíssimo. Não somente louve-O nacionalmente por seus governadores, mas popularmente nas suas multidões. A multidão de povos comuns bendizirá ao Senhor. Na medida em que o assunto é falado duas vezes, sua certeza é confirmada, e os gentios devem e exaltam Jeová - todos, sem exceção. Sob a dispensação do evangelho nós adoramos não um novo deus, mas o Deus de Abraão é o nosso Deus para sempre e sempre, Deus de toda a terra Ele será chamado.

Verso 2. 
Porque a sua benigidadade ['bondade misericordiosa' na versão usada pelo autor, ou seja, na King James Versioné grande para conosco. Pela qual significa não somente Seu grande amor para com o povo judeu, mas para com toda a família do homem. O Senhor é bom para conosco como Suas criaturas, e misericordioso para conosco como pecadores, por conseguinte, Sua bondade misericordiosa para conosco como criaturas pecadoras. Esta misericórdia tem sido muito grande, ou poderosa. A poderosa graça de Deus prevaleceu mesmo quando as águas do dilúvio prevaleceram sobre a terra: quebrando todos limites, ela tem corrido em direção de todas as porções da múltipla raça do homem. Em Cristo Jesus, Deus mostrou misericórdia misturada com bondade, e isto em um altíssimo grau. Todos nós podemos nos reunir neste grande reconhecimento, e no louvor que é então devido. E a verdade do Senhor permanece para sempre. Ele tem guardado Sua promessa do concerto que na semente de Abraão todas as nações da terra seriam benditas, e Ele irá eternamente guardar cada uma das promessas do concerto para todos aqueles que colocam sua confiança nEle. Esta deve ser uma causa de constante e grato louvor, por esta razão o Salmo conclui como começa, com outro Aleluia, Louvai ao SENHOR.


NOTAS EXPLANATÓRIAS E CITAÇÕES CURIOSAS

Todo o Salmo. 
Um Salmo muito curto se você considerar as palavras, mas de grandíssima extensão se você ponderadamente considerar o significado. Há aqui cinco principais pontos de doutrina.
Primeiro, o chamado dos gentios, o Apóstolo sendo intérprete, Romanos 15:11; mas em vão pode o profeta convidar os gentios para adorar a Jeová, a menos que eles estejam reunidos na unidas da fé, juntos com os filhos de Abraão.
Segundo, O Sumário do Evangelho, a saber, a manifestação da graça e da verdade, o Espírito Santo sendo o intérprete, João 1:17.
Terceiro, O propósito de tão grande benção, a saber, a adoração a Deus em espírito e em verdade, porque nós sabemos que o reino do Messias é espiritual.
Quarto, a ocupação dos súditos do grande Rei é adorar e glorificar a Jeová.
Último, o privilégio destes servos: que, como aos judeus, assim também aos gentios, que conhecem e servem a Deus o Salvador, vida eterna e benção são trazidas, assegurada nesta vida, e preparada no céu. Mollerus.

Todo o Salmo. 
Este Salmo, a porção mais curta do Livro de Deus, é citado e se lhe dá muito valor em Romanos 15:11. E sobre isto tem sido proveitosamente observado: “Ele é uma pequena porção da Escritura, e nós podemos facilmente passá-la por alto. Porém, não o Espírito Santo. Ele reúne este precioso testemunho que fala da graça para os gentios, e pressiona-o em nossa atenção”. Retirado das Curtas Meditações de Bellet sobre os Salmos, principalmente em seu caráter Profético, 1871.

Todo o Salmo. 
A ocasião e o autor deste Salmo são igualmente desconhecidos. De Wette considera-o como um Salmo do Templo, e concorda com Rosenmueller na suposição de que era cantado no começo ou no fim do serviço no templo. Knapp supõe que ele era usado como um serviço intermediário, cantado durante o progresso do serviço geral, para variar a devoção, e para levantar um novo interesse no serviço, tanto cantado pelos coristas ou por todo o povo. Albert Barnes.

Todo o Salmo. 
Na adoração a Deus nem sempre é necessário ser longo; as poucas palavras às vezes dizem o que é suficiente, como este curto Salmo nos dá a entender. David Dickson.

Todo o Salmo. 
Este é o mais curto, e o próximo mais um é o maior, dos Salmos. Há tempos para hinos curtos e para hinos longos, para orações curtas e para orações longas, para sermões curtos e para sermões longos, para discursos curtos e para discursos longos. É melhor ser demasiado curto do que demasiado longo, visto que o primeiro pode ser facilmente reparado. As mensagens curtas não necessitam de divisões formais: as mensagens longas as requerem, como o Salmo que vem depois do próximo. G. Rogers.

Verso 1. 
Louvai ao Senhor, etc. O louvor de Deus é aqui feito do começo ao fim do Salmo; para mostrar, que em louvar a Deus os santos nunca devem ficar satisfeitos com seus próprios esforços, e que devem infinitamente magnificá-LO, mesmo porque Suas perfeições são infinitas. Aqui eles fazem um círculo, o começo, o meio, e o fim do qual é aleluia. Neste último Salmo, quando Davi disse, “tudo quando tem fôlego louve ao Senhor”, e com toda probabilidade tinha feito disso um fim, todavia, ele repete o aleluia novamente, e clama: “Louvai ao Senhor”. O Salmista tinha feito um fim e, todavia, não o fez; para significar que, quando temos pronunciado nosso máximo louvor a Deus, não devemos ficar satisfeitos, mas começar novamente. Há dificilmente qualquer dever mais pressionado no Velho Testamento sobre nós, apesar de pouco praticado, do que este de louvar a Deus. Para nos despertar, então, para um dever tão necessário, porém tão negligenciado, este e muitos outros Salmos foram escritos por Davi, propositalmente para nos excitar, que são as nações aqui significadas, a consagrar toda as nossas vidas ao cantar e expor os dignos louvores de Deus. Abraham Wright.

Verso 1. 
Todas as nações. Note: cada nação do mundo tem algum dom especial concedido por Deus, que não é dado às outras, se você observar , pela qual deve louvar a Deus. Le Blanc.

Verso 1. 
Louvai-O. Uma palavra diferente é aqui usada para “louvar” da que é usada na cláusula anterior: uma palavra que é mais freqüentemente usada nos idiomas Caldeu, Sírio, Arábe e Etíope; e significa a celebração dos louvores de Deus em alta voz. John Gill.

Verso 2. 
Porque a sua bondade misericordiosa é grande para conosco. Não podemos partir deste Salmo sem observar que até no Velho Testamento temos mais do que um exemplo de um reconhecimento da parte daqueles que estavam sem a tábua da igreja, que o favor de Deus para Israel era uma origem de bênçãos para eles mesmo. Semelhantes eram provavelmente, para alguns, os sentimentos de Hirão e a Rainha de Sabá, os contemporâneos de Salomão; semelhante à experiência de Naamã; semelhante ao virtual reconhecimento de Nabucodonossor e Dário, o Medo. Eles contemplaram “sua bondade misericordiosa” para com seus servos da casa de Israel, e louvoram-no conseqüentemente. John Francis Thrupp.

Verso 2. 
Porque a sua benignidade é grande para conosco. Embora haja assunto de louvor para Deus em Si mesmo, mesmo se não fôssemos participantes de qualquer benefício dEle, todavia o Senhor dá a Seu povo causa para louvá-Lo pelos favores para eles em suas próprias causas particulares. David Dickson.

Verso 2. 
Porque a sua benignidade é grande. rbg, gabar, é forte: Não somente é grande em número ou tamanho; porém é poderosa; prevalece sobre o pecado, Satanás, a morte e o inferno. Adam Clarke.

Verso 2. 
Benignidade...e a verdade do SENHOR. Aqui, como em diversos outros Salmos, a misericórdia e a verdade de Deus estão unidas; para mostrar que todas passagens e procedimentos, tanto nas ordenanças como na providência, segundo a qual Ele vem e comunica a Si mesmo para Seu povo, não são somente misericórdia, apesar desta ser mui doce, mas verdade também. Suas bênçãos vêm para eles no caminho da promessa de Deus, como amarradas a eles pela verdade de seu concerto. Isto é deveras a satisfação da alma; isto torna tudo o que o homem tem em nada, quando cada misericórdia é um presente enviado do céu pela virtude da promessa. Sobre este assunto, a misericórdia de Deus é geralmente nos Salmos cercada pela Sua verdade; que ninguém pode presumi-Lo mais misericordioso do que Ele mesmo declarou em Sua palavra; nem desesperar de encontrar misericórdiagrátis, de acordo com a verdade de Sua promessa. Portanto, apesar de teus pecados serem grandes, creia neste texto, e saiba que a misericórdia de Deus é maior do que teus pecados. O alto céu cobre tão bem altas montanhas como pequenos montículos, e a misericórdia pode cobrir tudo. Por mais desesperada que seja tua doença, grande é a glória de teu Médico, que perfeitamente te curou. Abraham Wright.


DICAS PARA O PREGADOR DE VILA
Todo o Salmo. O reino universal.
1. O mesmo Deus.
2. A mesma adoração.
3. A mesma razão para isto.
Verso 2. Bondade misericordiosa. Na bondade há misericórdia, porque,
1. Nossos pecados merecem o reverso da bondade.
2. Nossas fraquezas requerem grande ternura.
3. Nossos temores podem ser removidos somente assim.
Verso 2. (última cláusula)
1. Em seu atributo - Ele é sempre fiel.
2. Em sua relação - sempre infalível.
3. Em sua ação - sempre de acordo com a promessa.

Fonte: Tradução integral do texto disponível em:
http://www.spurgeon.org/treasury/ps117.htm


Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, Fevereiro de 2003. (autor do site monergismo)
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