terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Redenção Particular - C. H. Spurgeon


(Particular Redemption)


Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:28)

Quando pela primeira vez ocupei este púlpito, e preguei neste salão, minha congregação assumia uma aparência de uma massa irregular de pessoas reunidas de todas as ruas desta cidade para ouvir a Palavra. Eu era então simplesmente um evangelista, pregando a muitos que nunca tinham ouvido antes o Evangelho. Pela graça de Deus, a mais bendita mudança teve lugar; e agora, em vez de ter uma multidão irregular reunida ao mesmo tempo, minha congregação é tão estável como a de qualquer ministro em toda a cidade de Londres. Eu posso observar a partir deste púlpito o semblante de meus amigos, que têm ocupado os mesmos lugares, tão exatamente como possível, durante todos estes meses; e eu tenho o privilégio e o prazer de saber que a maior parte deles, certamente três em cada quatro dos aqui reunidos, não são pessoas que entraram neste lugar movidas pela curiosidade, mas são meus ouvintes regulares e constantes. E observem como minha condição também tem sido mudada. No início um evangelista, e agora me tornei vosso pastor. Antes vocês eram um grupo diversificado que se juntavam para me ouvir, mas agora todos estamos unidos pelos laços do amor; e por meio desta união, temos crescido em amor e respeito uns para com os outros, e agora vocês se tornaram ovelhas de meu pasto, e membros de meu rebanho; e eu tenho agora o privilégio de assumir a posição de um pastor neste lugar, assim como na capela onde labuto a noite. Eu penso então, que como a congregação e o ofício têm agora mudado, não estranhará a ninguém que os ensinamentos sofram de certa forma uma diferença. Tem sido meu costume o dirigir-me a vocês com as verdades simples do Evangelho; e eu tenho mui raramente, neste lugar, mergulhado nas coisas profundas de Deus. Um texto que eu tenha considerado apropriado para minha congregação à noite, não tomaria como assunto de discussão neste lugar pela manhã. Há elevadas e misteriosas doutrinas, as quais tenho tido freqüentemente a oportunidade de tratar no meu próprio lugar, que não teria tomado a liberdade de introduzir aqui, considerando-vos como uma companhia de pessoas casualmente reunidas juntas para ouvir a Palavra. Porém agora, visto que as circunstâncias mudaram, o ensinamento também mudará. Eu não me confinarei agora simplesmente à doutrina da fé, ou ao ensinamento do batismo dos crentes; eu não permanecerei na superfície dos assuntos, mas me aventurarei, segundo Deus me guiar, a penetrar naquelas coisas que são a base de nossa tão amada religião. Não me envergonharei se prego diante de vós a doutrina da Soberania Divina; não temerei se vos anuncio de forma clara e sem reservas a doutrina da eleição. Não terei medo de expor a grande verdade da perseverança final dos santos; nem evitarei a inequívoca verdade das Escrituras, o chamamento eficaz dos eleitos de Deus; me esforçarei, até onde Deus me ajudar, em não ocultar nada de vocês, que têm se tornado meu rebanho. Considerando que muitos de vocês já "provaram e viram que o Senhor é bom", procuraremos examinar todo o sistema das doutrinas da graça, para que os santos possam ser edificados e reafirmados na sua santíssima fé.

Começaremos esta manhã com a doutrina da Redenção."Ele deu sua vida em resgate de muitos".

A doutrina da Redenção é uma das mais importantes doutrinas do sistema da fé. Um erro neste ponto nos levaria inevitavelmente a mais completa confusão de todo o sistema de nossas crenças.

Ora, vocês estão cientes de que há diferentes teorias da Redenção. Todos Cristãos sustentam que Cristo morreu para redimir, mas nem todos ensinam a mesma redenção. Diferimos sobre a natureza da expiação, e sobre o propósito da redenção. Por exemplo, os Arminianos sustentam que Cristo, quando morreu, não morreu com a intenção de salvar alguma pessoa em particular; e ensinam que a morte de Cristo não assegura por si mesma, fora de qualquer dúvida, a salvação de nenhum homem. Eles crêem que Cristo morreu para fazer a salvação de todos os homens possível, ou que fazendo algo mais, qualquer homem que desejar pode alcançar a vida eterna; conseqüentemente, eles estão obrigados a manter que, se a vontade humana não cede e se entrega voluntariamente à graça, então a expiação de Cristo será inútil. Eles sustentam que não há nada especial ou particular na morte de Cristo. Cristo morreu, de acordo com eles, tanto por Judas no Inferno como por Pedro que subiu ao Céu. Eles crêem que para aqueles que estão confinados no fogo eterno, houve uma verdadeira e real redenção feita para eles tanto como por aqueles que estão diante do trono do Altíssimo. Ora, nós não cremos em tal coisa. Afirmamos que Cristo, quando morreu, tinha um objetivo definido, e que este objetivo se cumprirá com toda certeza e acima de toda dúvida. Nós medimos o propósito da morte de Cristo por seus efeitos. Se alguém nos perguntar: "O que Cristo propôs fazer pela Sua morte?", responderemos esta questão fazendo outra - "O que Cristo fez, ou o que Ele fará por Sua morte?". Porque nós declaramos que a medida do efeito do amor de Cristo, é a medida de seu propósito. Não podemos desvirtuar de tal forma nossa razão para pensar que a intenção do Deus Todo-Poderoso poderia ser frustrada, ou que o propósito de algo tão grande como a expiação poderia fracassar por alguma causa, seja qual for. Nós sustentamos - e não temos medo de dizer que cremos nisto - que Cristo veio a este mundo com a intenção de salvar "uma multidão que nenhum homem pode contar"; e cremos que como resultado disto, toda pessoa por quem Ele morreu deve, sem sombra de dúvida, ser limpa do pecado e permanecer lavado no sangue diante do trono do Pai. Não cremos que Cristo faria qualquer expiação eficaz por aqueles que estão condenados para sempre; não ousaríamos em pensar que o sangue de Cristo foi derramado com a intenção de salvar aqueles que Deus previu que nunca seriam salvos; e menos ainda que, de acordo com o que dizem alguns, Cristo morreu por muitos dos que já estavam no inferno quando Ele subiu ao Calvário.

Tenho desta forma declarado nossa teoria da redenção, e aludido às diferenças que existem entre as duas grandes partes da igreja professante. Esforçar-me-ei agora para mostrar a grandeza da redenção de Cristo Jesus; e ao fazê-lo, espero ser capacitado pelo Espírito de Deus, para salientar todo o grande sistema da redenção, de forma que possa ser compreendido por todos nós, mesmo se nem todos o aceitemos. Porém vocês devem ter isto em mente: que alguns de vocês, talvez, possam estar dispostos a discutir as coisas que afirmo; mas eu quero vos lembrar que isto não é nada para mim; eu sempre ensinarei aquelas coisas que sustento ser verdade, sem impedimento ou estorvo de pessoa alguma. Vocês têm a mesma liberdade de fazer o mesmo em vossos lugares, e de pregar os seus pontos de vistas em vossas assembléias, como eu reivindico o direito de pregar na minha, inteiramente, e sem hesitação.

Cristo Jesus "deu sua vida em resgate de muitos"; e por este resgate Ele adquiriu uma grande redenção por nós. Eu me esforçarei para mostrar a grandeza desta redenção, medindo-a de cinco maneiras. Notaremos sua grandeza primeiramente pela atrocidade de nossa própria culpa, da qual Ele nos libertou; segundo, mediremos Sua redenção pela severidade da justiça divina; terceiro, a mediremos pelo preço que Ele pagou, os tormentos que teve que sofrer; então trataremos de magnificá-la, notando a libertação que Ele realmente adquiriu; e terminaremos fazendo menção do vasto número por quem esta redenção foi feita, que em nosso texto são descritos como "muitos".


I.
 Primeiro, pois, veremos que a redenção de Cristo não foi uma coisa pequena, se a medirmos pelos NOSSOS PRÓPRIOS PECADOS. Meus irmãos, considerai por um momento o abismo de onde foram tirados e a pedreira de onde foram lavrados. Vós, que fostes lavados, purificados e santificados, parai por um momento, e recordai o estado primitivo de vossa ignorância; os pecados aos quais estavam entregues, os crimes para os quais se precipitavam, a contínua rebelião contra Deus na qual tinham o costume de viver. Um pecado pode arruinar uma alma para sempre; não há poder na mente humana para captar a infinita malignidade do mal que repousa nas entranhas de um só pecado. Há uma infinidade de culpa escondida em uma só transgressão contra a majestade do Céu. Se, então, você e eu temos pecado apenas uma vez, nada exceto uma expiação de infinito valor poderá nos lavar do pecado e fazer uma satisfação por ele. Porém, temos você e eu transgredido somente uma vez? Não, meus irmãos, nossas iniqüidades são mais numerosas que os cabelos de nossa cabeça; elas têm prevalecido poderosamente contra nós. Poderemos contar as areias do mar, ou averiguar as gotas que em seu agregado fazem o oceano, antes de poder enumerar as transgressões que têm marcado nossas vidas. Retornemos à nossa infância. Quão cedo começamos a desobedecer nossos pais, e a aprender fazer de nossa boca uma cova de mentiras! Em nossa infância, quão petulantes e desobedientes fomos! Teimosos e volúveis, preferíamos nosso próprio caminho, e rompíamos violentamente toda restrição que nossos pais piedosos colocavam sobre nós. Nossa adolescência tampouco nos apaziguou. Furiosamente, muitos de nós, nos precipitávamos no meio da própria dança do pecado. Nos tornamos guias em iniqüidade; não somente pecando, mas também ensinando outros a pecar. E ao chegar à maturidade, e entrar na flor da vida, chegamos a ser sóbrios na aparência, e talvez nos livramos um pouco da dissipação de nossa juventude; porém, quão pequena melhoria ocorreu! A menos que a soberana graça de Deus tenha nos renovado, não somos melhores do que éramos no princípio; e ainda que esta mudança tenha sido operada em nós, ainda temos pecados dos quais se arrepender, e ainda temos que colocar nossas bocas no pó e cinzas sobre nossas cabeças, clamando: "Impuro! Impuro". E oh! vós que se apoiais cansadamente em vossa bengala, o suporte de vossa velhice, não permanecem ainda pecados aderidos às vossas roupas? São vossas vidas tão brancas como os alvos cabelos que coroam suas cabeças? Não sentis que a transgressão salpica as bordas de vossas vestes, manchando sua alvura? Quão freqüentemente vocês têm mergulhado no abismo, a ponto de vossas próprias roupas lhes causar abominação! Colocai vossos olhos sobre os sessenta, setenta ou oitenta anos durante os quais Deus tem poupado suas vidas;e dizei-me se podeis contar vossas inumeráveis transgressões ou calcular o peso dos delitos que haveis cometido. Oh, estrelas do Céu! os astrônomos podem medir vossa distância e dizer-nos vossa altura, porém vós, Oh pecados da humanidade!, sobrepujais toda imaginação. E vós, altas montanhas! a casa das tempestades e o ninho das tormentas! o homem pode escalar vossos picos e ficar de pé admiravelmente sobre vossas neves; mas vós, colinas do pecado! sois mais elevadas do que nossos pensamentos; vós, abismos das transgressões! sois mais fundos do que nossas imaginações se atrevem a mergulhar. Você me acusa de ultrajar a natureza humana? Isto é porque você não a conhece. Se Deus tivesse alguma vez vos manifestado vossos corações, vocês dariam testemunho de que, longe de exagerar, minhas pobres palavras falham em descrever o desespero de nossa maldade. Oh! se cada um de nós olhasse hoje para o interior de nossos corações - se nossos olhos pudessem penetrá-lo, de forma que víssemos a iniqüidade que está gravada com ponta de diamante em nossos coração empedernidos, teríamos então que dizer ao ministro, que embora ele possa descrever o desespero do pecado, por nenhum meio ele poderá exagerá-la. Quão grande então, amados, deve ser o resgate de Cristo, quando Ele nos salvou de todos estes pecados! Os homens por quem Jesus morreu, por grandes que foram seus pecados, foram justificados de todas suas transgressões. Embora eles possam ter cedido a todos vícios e luxúrias que Satanás pôde sugerir, e que a natureza humana pode cometer, ainda assim ao crer, toda a culpa foi apagada. Anos após anos podem ter se coberto com a negridão, até que seus pecados se tornassem duplamente negros; porém em um momento de fé, em um momento de triunfal confiança em Cristo, a grande redenção tirou a culpa de muitos anos. Não, mais do que isso, se fosse possível que todos os pecados que a humanidade tem cometido, em pensamento, ou palavra, ou ação, desde que o mundo foi feito, ou desde que o tempo começou, fossem colocados sobre uma única e pobre cabeça - a grande redenção é totalmente suficiente para tirar todos estes pecados e lavar o pecador, deixando-o mais alvo do que a própria neve.

Oh! quem medirá a altura da suprema suficiência do Salvador? Primeiro, diga quão grande é o pecado, e, então se lembre de que, como o dilúvio de Noé prevaleceu sobre os topos das montanhas da terra, assim o dilúvio da redenção de Cristo prevaleceu sobre os cumes das montanhas de nossos pecados. Nas cortes celestiais há hoje homens que uma vez foram assassinos, ladrões, bêbados, fornicários, blasfemos e perseguidores; mas eles foram lavados - eles foram santificados. Pergunte-lhes de onde vem o brilho de suas vestes, e de onde sua pureza tem sido alcançada, e eles, em uníssono, lhes contaram que lavaram suas vestes e a embranqueceram no sangue do Cordeiro. Oh vós, de consciências turbadas! Oh vós, cansados e oprimidos! Oh vós que gemem sob o peso de vossos pecados! a grande redenção agora proclamada a vocês é toda suficiente para suprir vossas necessidades; e se a multidão de vossos pecados supera em números às estrelas que adornam o céu, aqui está uma expiação feita para todos eles - um rio que pode arrastar e levar todos eles para longe de vocês para sempre.

Esta, então, é a primeira medida da expiação - a grandeza de nossa culpa.


II.
 Agora, em segundo lugar, devemos medir a grandeza da redenção pela SEVERIDADE DA JUSTIÇA DIVINA. "Deus é amor", sempre amando; mas, minha próxima proposição não contradirá de modo algum esta afirmação. Deus é severamente justo, inflexivelmente rigoroso em Seus relacionamentos com a humanidade. O Deus da Bíblia não é o Deus da imaginação de alguns homens, que tem tão em pouco o pecado, que o passa por alto sem demandar qualquer castigo por ele. Ele não é o Deus dos homens que imaginam que nossas transgressões são coisas tão pequenas, meros pecadilhos, que o Deus do Céu finge que não os vê, e tolera-os até morrerem esquecidos. Não; Jeová, o Deus de Israel, proclamou concernente a Si mesmo, "O Senhor teu Deus é Deus zeloso". É sua própria declaração: "que de maneira alguma terá por inocente o culpado". "A alma que pecar, esta morrerá". Aprendei, amigos meus, a considerar a Deus tão severo em Sua justiça como se nEle não houvesse amor, e tão amoroso como se nEle não houvesse severidade. Seu amor não diminui Sua justiça, nem Sua justiça, no mínimo grau, faz guerra ao Seu amor. As duas coisas estão docemente unidas na expiação de Cristo. Porém, notai que nunca poderemos compreender a plenitude da expiação, até que tenhamos primeiro captado a verdade escriturística da imensa justiça de Deus. Nunca houve uma má palavra dita, nem um mau pensamento concebido ou uma má ação cometida que Deus não tenha punido um ou outro. Ele quer uma satisfação de vocês, ou senão de Cristo. Se não tens expiação por meio de Cristo, você deverá pagar para sempre a divida que não pode pagar nunca, na miséria eterna; porque tão certo como Deus é Deus, Ele perderá antes a Sua Deidade do que deixar um só pecado sem castigo, ou uma partícula de rebelião sem vingança. Podeis dizer que este caráter de Deus é frio, austero e severo. Não posso impedir que faleis assim; não obstante, o que disse é verdade. Tal é o Deus da Bíblia; e embora repitamos como certo que Ele é amor, não é menos verdade que, além de amor, Ele é repleto de justiça, porque todo o bem se encontra em Deus, e estes elevados à perfeição, de forma que o amor alcança a sua consumada amabilidade e a justiça se torna severamente inflexível nEle. Não há aberração nem distorção em Seu caráter; nenhum de Seus atributos predomina demais a ponto de lançar uma sombra sobre o outro. O amor tem seu pleno domínio, e a justiça não está mais limitada do que Seu amor. Oh! então, amados, pensai, pois, quão grande deve ter sido a substituição de Cristo, quando satisfez a Deus por todos os pecados de Seu povo. Porque o pecado do homem exige de Deus castigo eterno, e Deus preparou um Inferno para lançar nele todos os que morram impenitentes. Oh! meus irmãos, podeis pensar sobre qual deve ter sido a grandeza da expiação que foi feita em lugar de todos os eleitos, contemplando esta eterna aflição que Deus deveria lançar sobre nós, se Ele não a tivesse derramado sobre Cristo. Olhai! Olhai! Olhai com solene olhar através das trevas que nos separam do mundo dos espíritos, e vede aquela casa da miséria que os homens chamam Inferno! Não podeis suportar o espetáculo. Lembre-se que naquele lugar há espíritos pagando para sempre a dívida à justiça divina; mas embora alguns deles tenham estado durante os últimos quatro mil anos abrasando-se nas chamas, eles não estão mais pertos da libertação do que quando começaram; e quando dez mil vezes dez mil anos tiverem passado, continuarão sem ter feito satisfação a Deus por sua culpa, como não a tem feito até agora. E agora, podeis captar o pensamento da grandeza da mediação de vosso Salvador quando Ele pagou a vossa dívida, e a pagou de uma vez por todas; de forma que agora não há um só centavo de dívida do povo de Cristo ao seu Deus, exceto a dívida de amor. Para a justiça, o crente não deve nada; embora ele devesse originalmente tanto que nem toda a eternidade seria suficiente para o pagamento de sua dívida, todavia, num momento Cristo a pagou toda, de forma que aquele que crê está inteiramente justificado de toda culpa, e livre de todo castigo, através do que Jesus fez. Considerai, pois, quão grande foi a Sua expiação por tudo quanto Ele fez.

Eu devo fazer uma pausa aqui, e expressar outra sentença. Há vezes em que dEus o Espírito Santo mostra aos homens a severidade da justiça em suas próprias consciências. Há um homem aqui hoje que tem sido ferido no coração com uma sensação de pecado. Ele uma vez foi um homem livre, um libertino, não sujeito a ninguém; mas agora, a flecha do Senhor se cravou firmemente em seu coração, e ele encontra-se numa escravidão mais dura do que a do Egito. Eu o vejo hoje; ele me diz que a sua culpa o persegue por toda a parte. O escravo negro, guiado pela estrela polar, pode escapar das crueldades de seu senhor e alcançar outra terra onde ele possa ser livre; mas este homem percebe que se ele vaguear o mundo inteiro, não poderá escapar de sua culpa. Aquele que está preso por muitas cadeias, ainda pode encontrar uma lima que possa desatá-lo e lhe por em liberdade; mas este homem vos dirá que já tentou orações, lágrimas e boas obras, mas não pôde escapar das algemas de seu pulso; ele ainda se sente um pecador perdido, e a emancipação, faça o que fizer, parece ser impossível para ele. O cativo na masmorra é às vezes livre em pensamento, embora não em corpo; seu espírito salta as paredes da masmorra, livre como uma águia, que não é escrava do homem. Mas este homem é um escravo de seus pensamentos; ele não pode ter uma idéia brilhante ou feliz. Sua alma está abatida dentro dele; as cadeias penetraram o seu espírito, e ele está gravemente aflito. O cativo às vezes esquece de sua escravidão no sono, mas este homem não pode dormir; pela noite sonha com o inferno, e durante o dia parece senti-lo; ele carrega uma fornalha de fogo dentro de seu coração, e faça o que fizer, na pode apagá-la. Ele foi confirmado, foi batizado, toma os sacramentos, assiste à igreja ou freqüenta uma capela, observa todas as instruções e obedece todos os preceitos, mas o fogo continua a queimar. Ele dá seu dinheiro ao pobre, e está pronto a dar seu corpo para ser queimado; dá de comer ao faminto, visita o enfermo, veste ao nu, mas o fogo continua a queimar, e faça o que fizer, não o pode apagar.

Oh, vós, filhos da aflição e da fatiga, isto que sentis é a justiça de Deus em plena busca de vocês, e feliz sois vós por sentirem isto, porque agora vos prego este glorioso Evangelho do bendito Deus. Vós sois os homens por quem Jesus Cristo morreu; por vós Ele satisfez a severa justiça; e agora tudo o que devem fazer para obter a paz de consciência, é dizer a vosso adversário que vos persegue: “Olhai ali! Cristo morreu por mim; minhas boas obras não te deteriam, minhas lágrimas não te apaziguariam: porém, olhai ali! Ali a cruz erguida; ali pendurado o Deus sangrando! Ouvi o grito de Sua morte! Vede-O morrer! Não estás satisfeito agora?” E quanto tiver feito isto, tereis a paz de Deus que excede todo entendimento, a qual guardará teu coração e mente por Jesus Cristo teu Senhor; e assim, conhecereis a grandeza de Sua expiação.

III. Em terceiro lugar, mediremos a grandeza da Redenção de Cristo PELO PREÇO QUE ELE PAGOU . É impossível para nós sabermos quão grandes foram os tormentos de nosso Salvador; mas, todavia, algum vislumbre deles nos dará uma pequena idéia da grandeza do preço que Ele pagou por nós. Oh Jesus, quem descreverá Tua agonia?
“Vinde a mim, vós todos os mananciais,
Habitai na minha cabeça e olhos; vinde, nuvens e chuva!
Minha aflição necessita de todas essas águas,
Que a natureza tem produzido em vós
Absorvei um rei para suprir meus olhos,
Meus olhos cansados de chorar, por demais secos para mim,
A menos que eles consigam novos condutos, novos suprimentos,
Para que se encham novamente, e com minha situação concordar”. 
Oh Jesus! Tu foste um sofredor desde teu nascimento, um homem de dores, experimentado nos sofrimentos. Teus sofrimentos caíram sobre Ti numa chuva perpétua, até a última temerosa hora de trevas. Então não numa chuva, mas numa nuvem, uma torrente, uma catarata de aflição, Tuas agonias se precipitaram sobre Ti. Vejo-O lá! É uma noite de geada e frio; mas Ele está no campo. É noite; Ele não dorme, mas está em oração. Ouvi Seus gemidos! Já houve algum homem que lutou como Ele luta? Ide e olhai em Sua face! Haveis visto alguma vez sobre um rosto mortal como o vosso, semelhante sofrimento que ali podeis contemplar? Ouça Suas próprias palavras: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte”. Ele levanta: é agarrado e arrastado pelos traidores. Caminhemos ao lugar onde Ele havia estava em agonia. Oh Deus! O que é isto que nós vemos? O que é isto que mancha a terra? É sangue! De onde veio? Talvez de alguma que tenha se aberto de novo por Sua horrenda luta? Ah! Não. “O Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até o chão”. Oh agonias que sobrepujam as palavras, que não bastam para descrever! Oh sofrimentos que não podem ser narrados em linguagem! Quão terríveis devem ter sido, a ponto de excitar a estrutura bendita do Salvador, e forçar um suor de sangue cair de todo Seu corpo? Este é o princípio; este é o começo da tragédia. Segui-O tristemente, tu igreja aflita, para dar testemunho d consumação. Ele é conduzido apressadamente através das ruas; é arrastado primeiro para um tribunal e então para outro; é arremessado e condenado ante o Sinédrio; Ele é escarnecido por Herodes; examinado por Pilatos. Suas sentença é pronunciada – “Crucifica-o!” E agora a tragédia chega ao seu momento culminante. Suas costas são expostas; Ele é amarrado à coluna Romana do suplicio; o azorrague sangrento levanta sulcos em Suas costas, e como por um rio de sangue Suas costas se avermelham – um manto carmesim que O proclama imperador da miséria. Ele é tomado por soldados; Seus olhos estão vedados, e então eles O esbofeteiam, e dizem: “Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?” Eles cospem sobre Seu rosto; tecem uma coroa de espinhos, e a espremem sobre sua têmpora; O vestiram com um manto de escarlate; ajoelhavam diante dEle e O zombavam. Ele permaneceu totalmente em silêncio; não respondeu uma só palavra. “Quando O injuriavam, não injuriava”, mas entregou-se Àquele a quem veio servir. E agora eles O tomam, e com muitas zombarias e desprezos O conduzem do palácio para as ruas apressadamente. Emagrecido pelos contínuos jejuns, e deprimido com a agonia de espírito, Ele tropeça sob o peso de Sua cruz. Filhas de Jerusalém! Ele desmaia em vossas ruas. Eles O levantam; colocam Sua cruz sobre os ombros de outro, e O empurram, talvez com a ponta da lança, até que finalmente Ele chegue ao monte da maldição. Soldados rudes O agarram, e O arremessam sobre Suas costas; o madeiro transversal é posto debaixo dEle; Seus braços são esticados para alcançar a distância necessária; os cravos são preparados; quatro martelos cravam num só momento as partes mais frágeis de Seu corpo; e ali está Ele sobre Seu lugar de execução, morrendo sobre Sua cruz. Todavia, não está terminado. A cruz é levantada pelos rudes soldados. Há um buraco preparado para ela. A cruz é solda bruscamente em seu lugar: eles enchem o lugar com terra, e ali ela permanece.
Mas vede os membros do Salvador, como tremem! Todos os seus ossos estão desconjuntados pelo golpe cruel da cruz contra o solo! Como Ele chora! Como suspira! Como geme! E ainda mais. Ouvi Seu último grito de agonia: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” Oh sol, não é de estranhar que feches teus olhos, e não contemples por mais tempo um ato tão cruel! Oh rochas, não é de estranhar que derretestes e romperam vossos corações com simpatia, quando vosso Criador morreu! Nunca alguém sofreu como este homem sofreu. Até mesmo a morte se enterneceu, e muitos do que estavam em seus túmulos levantaram e entraram na cidade. Isto, contudo, é apenas o sofrimento exterior. Creiam em mim, irmãos, o interno foi muitíssimo pior. O que nosso Salvador sofreu em Seu corpo não é nada comparado com o que Ele suportou em Sua alma. Não podeis imaginar, nem tenho palavras para ajudar-lhes, o que Ele suportou por dentro. Suponhamos por um momento – para repetir uma sentença que freqüentemente tenho usado – suponhamos um homem que tenha caído no Inferno – suponhamos que todos os seus tormentos eternos pudessem ser concentrados em uma hora; e então, suponhamos que ela possa ser multiplicada pelo número de salvos, que é um número que excede toda enumeração humana. Podeis imaginar agora qual a vasta agregação de miséria que haveria nos sofrimentos de todo o povo de Deus, se eles tivessem sido castigados por toda a eternidade? E recordai que Cristo teve que sofrer o equivalente a todos os infernos de todos os Seus redimidos. Eu não posso expressar este pensamento melhor do que com aquelas conhecidas palavras: parece como se o Inferno fosse posto em Seu copo; Ele o tomou, e, “Num tremendo gole de amor, Ele bebeu a condenação, deixando o copo seco”. Assim pois, não há nada restante de todos os sofrimentos e misérias do Inferno que o Seu povo deveria sofrer para sempre. Eu não digo que Ele sofreu nesta mesma proporção, mas que suportou um equivalente a tudo isto, e deu a Deus a satisfação por todos os pecados de todos de Seu povo, e conseqüentemente, levou um castigo equivalente a todos os castigos deles. Podeis agora sonhar, podeis imaginar a grande redenção de nosso Senhor Jesus Cristo?

IV. 
Eu serei mui breve sobre a próxima divisão. A quarta forma de se medir as agonias do Salvador é esta: devemos computá-las PELA GLORIOSA LIBERTAÇÃO QUE ELE EFETUOU.
Levante-se, crente, ergue-te no teu lugar, e neste dia testifique a grandeza do que o Senhor fez por ti! Permita-me dizer por ti. Contarei a tua experiência e a minha num só fôlego. Uma vez minha alma estava carregada com o pecado; me rebelei contra Deus, e gravemente transgredi. Os terrores da lei me assaltavam, as dores da convicção me dominavam. Via-me culpado. Olhava para o céu, e via um Deus irado jurando me punir; olhava debaixo de mim e via um Inferno aberto pronto para me devorar. Procurei satisfazer minha consciência com boas obras; mas tudo em vão. Esforcei-me para atender às cerimônias da religião para apaziguar os sofrimentos que sentia dentro de mim; mas tudo sem efeito. Minha alma estava excessivamente triste, quase até a morte. Poderia ter dito com o antigo enlutado: “Minha alma escolherá a asfixia e a morte, antes que a vida”. Esta foi a grande questão que sempre me deixava perplexo: “Tenho pecado; Deus deve me punir; como Ele poderia ser justo se assim não o fizer? Então, visto que Ele é justo, que será de mim?” Até que finalmente meus olhos se voltaram para as doces palavras que dizem: “O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Com aquele texto entrei em meu quarto, e sentei ali e meditei. Vi a Um pendente sobre uma cruz. Era meu Senhor Jesus. Alia estava a coroa de espinhos, e os emblemas de exclusiva e inigualável miséria. Olhei para Ele, e meus pensamentos lembraram daquelas palavras que dizem: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores”. Então, disse comigo mesmo: “Este homem morreu pelos pecadores? Eu sou um pecador; então, Ele morreu por mim. Aqueles por quem Ele morreu, serão salvos. Ele morreu pelos pecadores; eu sou um pecador; Ele morreu por mim; Ele me salvará”. Minha alma confiou naquela verdade. Olhei para Ele, e quando “contemplei o fluxo do sangue redentor”, meu espírito se regozijou, porque eu pude dizer:
"Nada trago em minhas mãos,
Simplesmente me apego à Tua cruz;
Venho nu a Ti, para vestir-me;
Indefeso, busco a graça em Ti!
Sujo, eu corro até a Tua fonte;
Lava-me, Salvador, ou morro!”

E agora, crente, tu dirás o resto. O momento em que creste, teu fardo caindo dos seus ombros, e te tornando leve como o ar. No lugar de trevas, você tem luz; no lugar de roupas pesadas, você tem o manto do louvor. Quem descreverá tua alegria deste então? Tu cantas na terra os hinos do Céu, e na tua alma quieta tem antecipado o Repouso eterno dos redimidos. Porque tens crido, tens entrado no repouso. Sim, contai ao mundo inteiro; todos aqueles crêem, pela morte de Jesus são justificados de todas as coisas que não puderem ser livres pelas obras da lei. Dizei no Céu, que ninguém e nada pode acusar aos eleitos de Deus. Anuncia a toda a terra, que os redimidos de Deus estão limpos de todo pecado aos olhos de Jeová. Gritai até mesmo no inferno, que os eleitos de Deus nunca irão para lá; porque Cristo morreu por eles, e quem é que os condenará?

V. Me apressei um pouco para entrar neste último ponto, que é o mais doce de todos. Jesus Cristo, somos informados no nosso texto, veio ao mundo “para dar a sua vida em resgate de muitos ”. A grandeza da redenção de Cristo pode ser medida pela EXTENSÃO DO DESÍGNIO DELA . Ele deu Sua vida “em resgate de muitos”. Eu devo tratar agora de alguns pontos controvertidos novamente. Freqüentemente se nos diz (me refiro àqueles que comumente são apelidados pelo nome de Calvinistas – e por certo não nos envergonhamos disso; cremos que Calvino, depois de tudo, conhecia mais o Evangelho do que quase todos os homens que já viveram, com exceção dos escritores inspirados da Bíblia), freqüentemente se nos diz que limitamos a expiação de Cristo, porque dizemos que Cristo não fez uma satisfação por todos os homens, ou de outro modo, todos os homens seriam salvos. Agora, nossa réplica a isto é que, por outro lado, nossos oponentes a limitam: nós não. Os Arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Peça a eles que expliquem isso. Cristo morreu para assegurar a salvação de todos os homens? Eles dizem: “Não, certamente não”. Fazemos-lhes a próxima pergunta: Cristo morreu para assegurar a salvação de algum homem em particular? Eles respondem: “Não”. Eles são obrigados a admitir isto, se quiserem ser consistentes. Eles dizem: “Não; Cristo morreu para que qualquer homem possa ser salvo se...” – e então adicionam certas condições para a salvação. Nós dizemos, então, voltando à primeira afirmação: Cristo não morreu para assegurar a salvação de ninguém, certo? Vocês devem dizer que “Não”; vocês são obrigados a dizer isso, porque crêem que um homem que foi perdoado pode, todavia, cair da graça e perecer. Agora, quem é que limita a morte de Cristo? Vocês. Vocês dizem que Cristo não morreu para assegurar infalivelmente a salvação de ninguém. Nós apresentamos nossas escusas, quando vocês dizem que limitamos a morte de Cristo; dizemos: “Não, meu querido senhor, sois vós os que o fazeis”. Nós dizemos que Cristo morreu para que Ele infalivelmente assegurasse a salvação de uma multidão que ninguém pode contar, que por Sua morte não somente poderão ser salvos, mas que o serão, devem ser salvos, e não podem de maneira alguma correr o risco de ser outra coisa, senão salvos. Que vocês aproveitem a vossa expiação; podeis guardá-la. Nunca renunciaremos a nossa por causa dela.
Agora, amados, quando ouvis a alguém rindo ou zombando de uma expiação limitada, podeis dizer-lhe isto. Uma expiação universal é como uma ponte de grande largura com somente metade de um arco; ela não cruza o rio: chega somente à metade do caminho; ela não pode assegurar a salvação de ninguém. Ora, eu prefiro colocar meus pés sobre uma ponte tão estreita como a de Hungerford, que chega até o fim, do que sobre uma ponte que é tão larga quanto o mundo, se ela não chegar até o fim, do outro lado do rio. Há aqueles que dizem que o meu dever é dizer que todos os homens foram redimidos, e que as Escritura garantem isso: “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”. Porém, parece haver deveras argumentos muito, muito grandes do outro lado da questão. Por exemplo, olhe aqui. “Eis que o mundo todo vai após ele” Todo o mundo vai após Cristo? “E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados”. Foi toda a Judéia, ou toda Jerusalém, batizada no Jordão? “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno”. “Todo o mundo” aqui significa todas as pessoas? Se assim for, quem seriam os “de Deus”? As palavras “mundo” e “todos” têm sete ou oito significados na Escritura; e raramente “todos” significa todas as pessoas, tomadas individualmente. As palavras são usadas geralmente para significar que Cristo redimiu alguns de todos os tipos – alguns judeus, alguns gentios, alguns ricos, alguns pobres; e que Ele não restringiu Sua redenção a judeus ou gentios.
Deixando a controvérsia, contudo, responderei uma questão. Diga-me, então, senhor, por quem Cristo morreu? Responda-me uma ou duas questões, e te direi se Ele morreu ou não por você . Você quer um Salvador? Sentes necessidade de um Salvador? Tens consciência do seu pecado, nesta manhã? O Espírito Santo te ensinou que és um perdido? Então, Cristo morreu por ti e serás salvo. Sentis nesta manhã de que não tens esperança neste mundo, senão Cristo? Compreendes que não podes oferecer por ti mesmo nenhuma expiação que satisfaça a justiça de Deus? Abandonastes toda confiança em ti mesmo? E podes dizer sob os seus joelhos dobrados: “Senhor, salva-me, ou pereço?” Cristo morreu por ti. Porém se dizes nesta manhã: “Sou tão bom como deve ser; posso ir ao céu por minhas próprias boas obras”, então, lembre-se, a Escritura diz de Jesus: “Eu não vim chamar os justos, senão os pecadores ao arrependimento”. Enquanto permaneceres neste estado, não há expiação para pregar para você. Mas se nesta manhã te sentes culpado, miserável, ciente de sua culpa, e estás pronto a tomar Cristo para ser teu único Salvador, não somente te direi que podes ser salvo, mas, o que é melhor, que serás salvo. Quando estás despido de tudo e não tenhas nada, exceto esperança em Cristo, quando estás preparado para vir com as mãos vazias para tomar Cristo para ser seu tudo, e tu nada, então poderás olhar para Cristo e dizer: “Tu amado, Tu imolado Cordeiro de Deus! Tuas aflições foram suportadas por mim; por Tuas feridas foi curado, e por Teus sofrimentos fui perdoado”. E então vejas que paz de mente terás; porque se Cristo morreu por ti, não podes se perder. Deus não pune duas vezes a mesma coisa. Se Cristo foi punido pelo seu pecado, Ele jamais te punirá.
"Pagamento, a justiça de Deus não pode demandar, primeiro, da mão sangrenta do Fiador, e então novamente da minha”. Nós podemos hoje, se crermos em Cristo, chegar ao próprio trono de Deus, permanecer ali, e se nos disser: “Tu és culpado?”, poderemos dizer: “Sim. Culpado”. Mas se a questão é coloca assim: “O que você tem para dizer? Porque motivo não deverias ser castigado pela sua culpa?” Podemos responder: “Grande Deus, tanto a Tua justiça como o Teu amor são garantias de que Tu não nos punirá por nossos pecados; porque, não punistes Tu a Cristo pelo pecado, por nós? Como poderias Tu, então, ser justo – como poderias Tu ser Deus, se Tu punes a Cristo o substituto, e então o próprio homem mais tarde?” A única pergunta com a qual devemos nos preocupar é: “Cristo morreu por mim?” E a única resposta que podemos dar é: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores”. Você pode escrever o seu nome nesta frase, entre os pecadores – não entre os pecadores lisonjeiros, mas ente os pecadores que se sentem como tais, entre os que choram sua culpa, entre os que a lamentam, entre os que buscam misericórdia por causa dela? És um pecador? Se assim se sente, se assim reconhece, se assim professa, estás convidado agora a crer que Jesus Cristo morreu por ti, porque tu és um pecador; e estás convidado a cair sobre esta grande e inamovível rocha, e achar segurança eterna no Senhor Jesus Cristo. Amém.
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Um Sermão (Nº 0181)
Pregado na Manhã de Domingo, 28 de Fevereiro de 1858 por C.H.Spurgeon
No Salão de Música, Royal Surrey Gardens – Inglaterra
  

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 25 de Março de 2004. (monergismo)
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