domingo, 17 de janeiro de 2016

O Cristo Cósmico e Universal por T. Austin-Sparks


Nesta fase o nosso tema geral é para ser considerado ao longo de duas vias, (a) a universalidade da Pessoa de Cristo; (b) a universalidade do Nome de Jesus, o Cristo.
A primeira ocupará a nossa atenção no momento.
O nosso uso da palavra "universal" visa implicar a ilimitação de Cristo em relação ao tempo e espaço, mas quando falamos do Cristo "Cósmico" entendemos particularmente a Sua importância quanto ao Cosmos Inteiro, ou mundo. (O termo "Kosmos" é definido completamente em outra abordagem). É de extrema importância que o povo de Deus reconheça a universalidade do Cristo no Qual eles têm sido incorporados, pois é nessa universalidade que eles foram fundidos.
Os grandes termos e temas do Evangelho, tais como "Jesus Cristo", Salvador, Salvação, Redenção, Propiciação, Expiação, Santificação, etc., não são ideias tardias da criação, uma emergência significa encontrar-se com algo que pertence à natureza de um acidente no mundo. Os sofrimentos da Cruz não são meramente relacionados a algo subsequente à criação. A ideia sacrificial não se originou como muitos têm pensado, na mente do homem primitivo e vagarosamente se desenvolvido num ritual altamente organizado. O sistema bíblico de sacrifícios e alianças de sangue não foram adquiridas das raças pagãs e lhes dado um novo significado, embora o sistema em geral tenha sido a expressão religiosa do paganismo. Os princípios verdadeiros, puros, e significados de julgar, purgar, e renovar através do sacrifício e sangue era um conceito Divino desde antes que o mundo existisse.
Uma aliança existia antes da criação do mundo entre o Pai e o Filho. Esta era uma aliança em sangue, e portanto necessitava encarnação, morte e ressurreição. Não se relacionava somente com a terra, mas também com os céus, ambos os quais tinham necessidade de ser purgados de alguma coisa impura que tinha se infiltrado. Todos os sistemas pagãos de sacrifício são distorções do conceito puro que estava na mente Divina antes que o mundo existisse, pois "o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo". Para esta obra universal uma pessoa é necessária, e essa pessoa deve carregar em si mesmo os atributos que são universais. Ele não deve pertencer a nenhuma época ou nação ou mundo. Ele deve ser investido com autoridade universal. Assim, Jesus é o Cristo, isto é, o Ungido. Ele é ungido na Eternidade, antes da criação, e a unção é a Sua comissão e a Sua investidura para a missão universal.
Todo o registro da escritura lança seu peço sobre o fato de que Cristo se comprometeu e foi ungido para cumprir uma obra no universo anterior à "queda", e o qual abrangia os resultados da "queda" também. É também bastante claro que nesta terra, através da encarnação, essa obra era para ser realizada. Mas esta terra e o Drama Divino da Cruz é relativo a algo infinitamente maior. Principados e Potestades, Anjos e Arcanjos, e inteligências super cósmicas são envolvidas, ligadas, abordadas, e são instruídas com isto. Tendo apenas aludido a esta universalidade da Pessoa e obra de Cristo, pode ser bom notar alguns dos elementos cósmicos e universais na Sua vida e obra terrena. Mas talvez, será bom permanecer no aberto uns minutos mais antes de virmos para o mais histórico.
Tome, por exemplo, uma passagem como essa em Colossenses 1: "Ele é a imagem visível do Deus invisível. Pois Nele foram criadas todas as coisas tanto as dos céus como as da terra, ambas as visíveis como as invisíveis, sejam tronos ou domínios ou principados ou potestades; por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas e Ele é antes de tudo "Ele é antes de tudo". O "é" aqui significa que Ele não é um dos seres criados, não superior em classe a alguns anjos, mas incriado, eterno, antes de tudo.

"E Nele todas as coisas subsistem", ou têm o seu ser. Isto é, tudo tem o seu ser por causa Dele. Elimine a existência de Cristo, e você deverá eliminar o universo. É por isso que "não era possível que Ele fosse retido pelos grilhões da morte". Assim, a ressurreição de Cristo era essencial para a sobrevivência do universo. Em última análise, todas as coisas devem ter a vida consciente deles Nele. Esta é a inclusividade de Cristo, e mais uma ênfase na formula apostólica "Em Cristo".
Perceba além disso Efésios 1:10: "De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra"
Deus determinou ter o universo reunido no Seu Filho. É impossível livrar-se de Cristo, e é impossível além de que em última análise o Senhor Jesus tenha todas as coisas sob a Sua cabeça soberana.
Isto nos deveria fortalecer poderosamente na nossa confiança e na nossa perseverança. Assim o apóstolo ainda diz: "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade". Era esta revelação e conhecimento que representava a fortaleza, persistência, resistência, e ascendência espiritual dos apóstolos em tempos de grande estresse e sofrimento. Pois para um espírito vitorioso uma adequada visão e dinâmica é essencial. todo o levantamento das forças de antagonismo a Deus e ao Seu Ungido ao longo dos séculos tiveram que finalmente procurar o Seu propósito eterno, e em última instância serão rendidas à Sua soberania. Amado de Deus, o fim vai declarar Ele Cabeça suprema do Cosmos e do universo. A seguinte coisa a lembrar é que "a igreja que é o Seu Corpo" não é mais uma ideia adicional do que a encarnação e da pessoa e propósito redentor de Cristo. "Fomos escolhidos Nele antes da fundação do mundo", e isto é em relação ao propósito da encarnação. Este "Corpo" é o instrumento pelo qual um desenvolvimento mais completo da Sua missão pessoal é para ser realizado, e tudo que se aplica a Ele na eternidade e no tempo, no Cosmos e no universo é para ser efetuado em e através desse "Corpo".
Como o "Corpo Cósmico" e a "Cruz Cósmica" é para ser considerado separadamente, devemos agora nos aproximar da "Pessoa Cósmica", na Sua manifestação no tempo. Se Cristo é universal na Sua pessoa e também eterno, tudo que Ele diz e faz no tempo deve conter um significado que transcenda infinitamente a hora e o lugar no qual é humanamente expresso. É importante lembrar disto. Não existe nada Nele ou Dele que está no final envolvido com um tempo, lugar, ou povo. Porém são a representação de questões maiores.
Agora tome seus Evangelhos e leia eles com esta ideia. Belém não é um evento que pertence só ao tempo. A encarnação de Deus em Cristo é o próprio propósito pelo qual Deus fez o homem na Sua imagem, e isto indubitavelmente para propósitos maiores do que a redenção de uma raça. É muito provável que a encarnação de Cristo tenha ocorrido mesmo se não tivesse havido a queda. O homem era o meio e método escolhido pelo qual uma maior questão do que o pecado da raça humana era para ser estabelecida, e Jesus o Cristo é o representativo do homem como Deus pretendia que ele fosse para o encontro de outras ordens do mal espiritualmente em forma pessoal. Isto somente é uma explanação adequada da intensa oposição demandada pelo seu povo de "aliança" para com todas as formas de demonologia, espiritismo, necromancia, etc., como também de todas as referencias diretas para com o sistema satânico. Através do homem - homem único - em união corporativa vital com Deus esta conquista universal e estabelecimento era para ser efetuado, e a encarnação vai direto ao âmago da questão. Os cantos dos anjos abrangem a eternidade e todas as esferas, e são a expressão da maravilha e admiração da magnitude do alcance disto. De modo semelhante todos os outros passos definidos do progresso terreno da Sua missão possuem a marca de algo que vai além do histórico (sobre-histórico).
O Batismo declara que a questão universal de "TODA justiça" é para ser estabelecida através de uma morte representativa - para que "ele que tinha o poder da morte - a saber, o diabo - fosse destruído" (Heb 2:14), e numa ressurreição haja uma vida e vitória que nunca mais pode ser destruída, mas no poder do qual o Divino empreendimento deve ser forjado até a sua consumação.
Na descida do Espírito como uma pomba é reconhecido, primeiramente, a atestação no tempo do fato eterno que Ele é o ungido Filho de Deus para esta missão universal, e em segundo lugar, que Ele é o representativo de todos os que através da experiência e significado dessa morte e ressurreição entram no propósito da nova criação e participam dessa unção para cumpri-la.
A tentação é o propósito imediato e último da Sua unção como que numa breve representação. O Príncipe deste mundo é enfrentado e a batalha do universo é travada. A soberania do Filho é o alvo do desafio - "Se você é o Filho". Isto não é uma mera tentação humana. O homem nunca foi tentado nestas dimensões. Isto é Cósmico. Mas devemos lembrar que quando nos tornamos participantes da Sua unção em breve viremos de encontro com este inimigo com um significado muito maior do que o local ou pessoal. A soberania de Cristo é então o campo de batalha. São somente os que estão assim ungidos em Cristo que realmente conhecem o inimigo. Ficar em dúvida quanto à existência de Satanás ou não ter tido nenhum verdadeiro conflito com ele pode ser um indício de que se está fora da unção de Cristo.
A Transfiguração é um vislumbre da humanidade glorificada, um brilho fugaz de como seremos quando finalmente "participemos da Sua glória", e do que Deus intencionava desde o princípio. Ter uma concepção adequada desta glória é ter uma ideia da extensão da "queda". Não podemos ficar aqui para mostrar o caráter Cósmico e universal do ensino e oração de Cristo, mas numa outra abordagem a oração super-Cósmica é tratada e ilustrará isto último.
Não fiquemos demasiadamente presos a épocas, dispensações, lugares, tempos, mas mantenhamos a relação de tudo ao atemporal e ao ilimitado, e lembre que é um reino e soberania dos céus do qual Cristo é o centro. Também vamos relacionar todas as nossas experiências que são verdadeiramente espirituais como quem temos sido incorporados no Cristo eterno para o eterno propósito de acordo ao qual temos sido chamados. Então, seremos libertos da opressão e tirania do incidental, acidental, e temporal.
Primeiramente publicado na revista "Uma Testemunha e Um Testemunho" Junho, 1926, Vol. 4-6.
Origem: "The Cosmic and Universal Christ"

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